As histórias sobre o ramal do Cupuaçu

Conheça duas histórias sobre como a comunidade do Ramal do Cupuaçu surgiu e se desenvolveu. Em ambas, a maior preocupação é com a preservação da floresta e das tradições.

Nas memórias de Rosa Queiroz, a comunidade do Cupuaçu aparece na figura de seu pai, Manoel Rodrigues Queiroz, que protegia as extensões de mata da região. Rosa lembra quando sua família era uma das únicas residentes. Nos anos de 1980 e 1990, enquanto Barcarena crescia, eles sobreviviam colhendo frutas como o bacuri, o cupuaçu e o açaí, e se dedicavam à produção de farinha.

Em 1999, com a ajuda de alguns amigos, Rosa começou a organizar a comunidade. Foram anos de esforço até que, em 2003, a Associação de Moradores do Igarapé Cupuaçu (AMIC) foi oficialmente registrada.
O objetivo era claro: os moradores queriam ser reconhecidos como cidadãos, com acesso a estradas, casas e eletricidade.

Com a associação, a comunidade começou a reivindicar melhorias. “Hoje, Cupuaçu tem mais famílias, cerca de 200, embora só 45 sejam associadas à AMIC”, destaca Rosa. Para ela, um projeto importante é o Economia Circular Sustentável que trouxe modernização e oportunidades. Outro destaque, segundo Rosa, é o projeto das mulheres Queiroz que “cultivam mandioca e contribuiu para o empoderamento feminino e desenvolvimento local”, explica.

 

 

Luciene Pinheiro é conhecida por quem frequenta a IBS pelo seu semblante doce e voz suave que não revelam a força de sua luta como presidente da Associação da Comunidade Quilombola Indígena Ramal Cupuaçu.

Ela conta que a comunidade Boa Vista nasceu em 1978, mas foi recriada em 2005 quando houve o retorno ao território que foi perdido na década de 1980 devido à chegada das indústrias. Ao serem remanejados, os habitantes deixaram seus sítios às margens do rio Murucupi, posteriormente ocupados por quem buscava oportunidades.

“Foi preciso fazer acordos, então ficamos onde estavam as matas grandes, as florestas em pé. Mas no meio desse território tinha uma trilha, um caminho para o rio Murucupi”, relembra Luciene.
O caminho era o acesso ao mundo e a trilha se transformou no Ramal do Cupuaçu, pois todos os que vinham do rio Arrozal amarravam as suas canoas em uma árvore do cupuaçuzeiro. Luciene conta que o Ramal cortou o território ao meio, “mas tudo é Boa Vista”. Com o tempo chegaram a escola, energia elétrica e oportunidades de emprego.
Em 2013, houve a regularização das comunidades indígenas e quilombolas e, em 2016, a Fundação Palmares concedeu a certidão do território.

O apoio da Plataforma Conexões Sustentáveis ao projeto da comunidade e outras entidades com foco no Ramal Cupuaçu levou cursos de capacitação, treinamento para jovens e instalação de placas solares, benefícios que “contribuíram para a melhoria de nossas vidas”, enfatiza Luciene.